Pera trincada e o sumo a escorrer...
Como a vida a
esvair-se em líquido doce. Aromatizado de fruta.
Que seja rápida a partida, mesmo que a dor seja
mais acutilante que as lâminas da tua barba por fazer.
És amor cansado. Descalço e descontente. Amargura
de repetição.
Silêncio em nome de um deus qualquer. Ou anjo
delicado, mas distraído que me permite sofrer (n)uma agonia de fim de noite sem
dormir.
Não mereces palavras e muito menos gestos.
Escrevo
para me libertar de vez. Da ausência cúmplice, da obrigação dos sorrisos que
são lágrimas, da prisão em que me encerraste. Da tortura tão subtil quanto infame e
carregada de um egoísmo maldito.
Um grito tenta rasgar-me o peito. Sufoco na música
que me transpira a alma. O corpo parado numa quietude inquietante.
Nem amor, nem indiferença. Muito menos ódio.
Apenas o tempo parado neste momento infindável.