Não sei se falas com as mãos ou
se te escondes nas palavras.
No entanto adio-te, para não te esquecer.
Ecos de
suores perfumados vindos de onde quer que estejas, sentado em frente à janela,
que te há-de trazer chuva e letras, com que forras o cadeirão de veludo gasto e
de cor indefinida.
No colo da paixão, sentam-se fantasmas de espadas que indicam as
estradas.
Escondo-ME por momentos, esmagada
pelas tuas carícias cinematográficas, nos meus ombros nus, arredondados pela
cicatriz, a tentar escrever-TE esta carta de amor vazio.
A tua boca é O verbo que invoco.
As
palmas das tuas mãos sabem a música mastigada em silêncio, para que não me
saibas perto.
E são os teus olhares proibidos, que me condenam, ordenam,
desafiam e agridem.