palavras circulares despejam a quente momentos que perderam
som.
e assim te aguardo sem saber esperar...
fechA os olhos_______ sente como te adivinho, nas palavras
alargadas, proibidas no prazer de as dizer.
olha-me de frente, aproxima o teu rosto do meu onde se
fundem olhares t(r)ocados.
exijo-te. mesmo quando pensas que te dás. mas estou a
aprender a nada pedir. sou capaz de entrar em ti, pelos poros por onde a pele
respira e já não me transpira ____________ já não. e sou tão sómente sal neste buraco
de fechadura por onde (te) espreito e latejo. as mãos feridas de ferrugem
esbatida.
não digas nada (mesmo desejando que digas tudo) nesta
incerteza de pecado e perdão, ou apenas irritação e desculpas. ocas. loucas.
hálito que o ardor adivinha em delírio as palavras escritas,
rasuradas, quase apagadas, mas ainda visíveis num hotel onde se hospedam
viajantes que nunca param. sempre de passagem na imaginação que já foi minha e
jaz agora em qualquer outro lugar do mundo visível apenas em fotografia aérea. e num sistema de satélites por configurar.
alvejada nas
costas caio na cova aberta (ainda não túmulo) aberta à dor que sei minha.
beijos nos pulsos que sangram mistérios que a (minha) morte não revela.
pulsos abertos à dor ___________ a vida lateja. surpreende. dá cor. vermelho cravo. revolução. intenção. i.n.s.u.b.o.r.d.i.n.a.ç.ã.o.
não digas nadas, para que não digas NÃO...