Conhece o cheiro do amor, onde se abisma como yoyeur dos
sentidos saboreando o paladar de cada palavra interdita.
Respira-O assim, em
tons mel e limão para que a garganta amenize a dor do grito aquando da expulsão
de árvores moribundas de um ventre amaldiçoado à nascença dos rios que desaguam
no peito...
...Ou em Espanha, onde houver leito de rosas e espinhos, milagre do pão,
onde existir perdão, mas jamais solidão. Ou hábitos, rituais a emergir. Não.
Não! Respondeu ele à carta escrita, fechada, mas não
enviada. Não te desejo conhecer, és-me sonho que solta veneno, talvez pintar-te
da minha cor, mas sem deixar que me tentes.
E ela que se sente pétala, nem entende a invocação. Quer lá
saber que ele a ignore, a paixão é um imprevisto que lhe pode acontecer e então
ele há-de saber que, por vezes, mesmo sem querer, há-de gotejar de desejo, em
descidas tão vertiginosas quanto as escaladas que outros tentam.
Aromas horizontais soltam-se do leito do rio, agora mornos,
gemidos, exaustos. Conspiração de dedos que se entrelaçam e descem ao centro de
gravidade de cada um, a ele a apetecer-lhe o irresistível. E ela a inquietar-lhe
o sono, a ser fantasia, sonho. A sorrir e a acenar-lhe um adeus. A abrir-lhe o
apetite da pele que lhe é vento nos cabelos e nos olhares em desalinho.
A adiá-LO para não O esquecer.