O barco balança. Sento-me, pés
balançando borda fora, mãos a fazer pala nos olhos, a ver o que a vista
alcança. Sento-me numa escravidão de beijos apurados no fundo do mar. Sinto-me
prisioneira deste amor que não quero soltar. Terra à vista, numa imensidão de
florestas que crescem em silêncio. Num estertor de golfadas de sangue a arder.
O meu peito, onde as andorinhas hão-de fazer os ninhos e as tuas mãos deixam carícias. A arder. O ventre a soltar gemidos do filho a nascer.
A dor é lastro. A palavra
proibida. O toque mágico. A pele cingida à tua, em bebedeiras de mar. Meu amor,
a distância é febre a gelar. E eu sem saber esperar.
As músicas trazem-me notícias
tuas, num suave respirar, como se chegasses, sem nunca teres partido.
Sopro-te a minha boca em delírio
da tua. E o teu amo-te gritado, é maior do que o que cabe no coração.
As raízes arrastam-me para o
convés do barco à deriva onde me esperas com o teu sorriso aguado de gulodice, a
tentares vislumbrar-me entre as folhagens das árvores que também me enlaçam com
os ramos, a caminho da terra mãe.
Vemo-nos. E sufoco um soluço no
corpo a ondular o desejo.