A adiar o luto de um velório gasto.
Flores murchas do tempo oculto. Danças-me em passos de
cântico final.
E eu sem esquecer a música em sopro do teu olhar. As tuas mãos
de príncipe no meu corpo em abismo.
Vertigem.
A fruta em cima da mesa... Devaneios acariciados pela
vontade do querer. Só para não dizer que não. Pétalas doces, gestos comovidos.
Cheira a amor. Alma salgada, o meu peito a arder, moldado no
teu coração. Profanado pela insistência. A boca ávida.
Fomos quase sempre, espaço desocupado, um do outro. Fomos o
tangível na descoberta dos labirintos da pele. Fomos grito e pensamento
imaginado. Fomos tardes de alguns discursos indirectos. Fomos viagem.
Encontro. E espera.
O teu silêncio, as minhas palavras.
Fomos.
E um dia, não vieste.
[Recebeste a minha sms?]