quinta-feira

Don't Worry About Me



Recuar a memórias, aos dias de flores inquietas, pela brisa suave de um sol de Verão.

[Descalça, a chapinhar num fio de água que restava do riacho solto na madrugada.]

Sei-te de olhos fechados: a pele macia, o cheiro a amor nos olhos que pousam nos meus, ignorantes de promessas.

O arrepio na pele, da surpresa de te ver à porta.
Silêncio.

O tempo perfeito neste prolongamento de fio de sémen suspenso.

Dá-me a tua boca. Dá-me, dá-te, solta-te, eleva-me.
Na ambiguidade da saudade…
Não digas nada: sente.

E eu calada, sôfrega dos teus sussurros nos meus cabelos, a tua língua nos meus ouvidos em busca de mim.

Despe-te, deixa a luz acesa.
Loba.

O prazer pelo prazer. A intimidade encaixada. Ascendo enquanto gemes, gemo porque a[s]cendes.
Tombamos um no outro. Suspiros. Recuperar o fôlego.
Não dizes nada.


E só eu sei, o que queres dizer.


sábado

cHá De MeNtA




Desafio-me em coragem,
trago-me


Desafio-me em coragem

trago-me n.á.u.f.r.a.g.a

em ondas
que rebentam [no] meu peito


pálidas [as] ideias que não [se] desenham 

sorrisos emudecidos

assim os dias secos por um suor húmido
que me é mordaça

beijo então o vento

aguados os dias de um Janeiro que se intromete

áspero e silencioso,
sem passado, cem memórias

A penetrar a alma em arco-íris
imobilizando os ruídos da tristeza.


Abismo-me.
E sorvo-me inteira, num voo a rasar o sol.