quarta-feira

Vinegar & Salt





Pera trincada e o sumo a escorrer...
Como a vida a esvair-se em líquido doce. Aromatizado de fruta.

Que seja rápida a partida, mesmo que a dor seja mais acutilante que as lâminas da tua barba por fazer.

És amor cansado. Descalço e descontente. Amargura de repetição. 

Silêncio em nome de um deus qualquer. Ou anjo delicado, mas distraído que me permite sofrer (n)uma agonia de fim de noite sem dormir.

Não mereces palavras e muito menos gestos.

Escrevo para me libertar de vez. Da ausência cúmplice, da obrigação dos sorrisos que são lágrimas, da prisão em que me encerraste. Da tortura tão subtil quanto infame e carregada de um egoísmo maldito.  

Um grito tenta rasgar-me o peito. Sufoco na música que me transpira a alma. O corpo parado numa quietude inquietante.
Nem amor, nem indiferença. Muito menos ódio. Apenas o tempo parado neste momento infindável.


sexta-feira

I can not be saved


a existência demoníaca do meu olhar a alimentar a imortalidade. ruidosamente.

fio de prumo do teu corpo retalhado. púrpuro ______ intocável em rios de palidez lenta. e um dia o mar eterno dos teus olhos fez-se eterno na terra do nunca. empurrando pequenas gotas de água pela pele __________ rente ao peito em ferida, asa partida, neve caída.

Vertiginosamente.


_______________ anéis de fumo de um cigarro esquecido entre os dedos de tocar piano. 

Em si.bemol, adentro-me em ti rumo ao cântico final.