Deixa-me morrer assim, num eco de beijo vendido,
prenhe de palavras ardidas porque a tua voz de ouro é agora silêncio disperso.
Deixa-me morrer assim, de lábios pintados côr do desgaste da
linguagem
pelo sabor de olhares baços,
como asas primaveris a ferirem-me o canto da boca.
E tu e eu somos um corpo único que o vento alisa e
transforma em violetas e rosas secas.
DeixO-me morrer assim, como se o mármore fosse marfim e a
carne pele pintada em golfadas de sangue tão quente, como outrora eram as velas
que nunca ardiam até ao fim.
Espelhos de insónias vãs.
O inferno é um lugar comum pelo
calor do meu corpo a arrefecer, assim, nas tuas mão de utopia.
Não me despeço, apenas adormeço.
E,
nesse momento estarei dentro do teu peito. Guarda-me.