sábado

My Kind of love




recuso o olhar que me penetra a alma, invade o sono e grava a noite no meu corpo.

trago-me liberta da inocência ocasional e antiga como porcelana fina em que o chá das cinco era servido na redoma das memórias que não imito. e assim retomo a vida sem manchar as  cores delicadas que o teu silêncio enche de notas musicais que não sei tocar, atravessando as folhas tímidas que gritam como cabelos ao vento numa intolerância de pele tatuada. retornar à vida então, com a nostalgia do que fui.

____________________________ tranco as lágrimas que ascendem ao topo das árvores que me aguardam_________________________de folhas em branco sem medo dos tons outonais que me envolvem em saudades.


E na nudez da tua ausência, descubro que já posso voar.


quarta-feira

Mind Games



trago nos pulsos a noite de todos os segredos. desterros.


descalço as palavras indistintas. nuas, breves. e aos teus pés as minhas mãos.


por um dia quando o amor é só o.

bálsamo em anel de noivado. inconfessado. leito e sofreguidão.




talvez porque o momento de agora se repete em tempo de instantes. 


______________ enquanto nos sepultamos  fiéis à intemporalidade da música com que combatemos a dor.


Lama e trevas numa batalha de amantes


e aos teus pés as minhas mãos em concha que o eco origina utopia. 



domingo

Things I'll Later Lose






Deixa-me morrer assim, num eco de beijo vendido,


prenhe de palavras ardidas porque a tua voz de ouro  é agora silêncio disperso.


Deixa-me morrer assim, de lábios pintados côr do desgaste da linguagem

pelo sabor de olhares baços,

como asas primaveris a ferirem-me o canto da boca.


E tu e eu somos um corpo único que o vento alisa e transforma em violetas e rosas secas.


DeixO-me morrer assim, como se o mármore fosse marfim e a carne pele pintada em golfadas de sangue tão quente, como outrora eram as velas que nunca ardiam até ao fim.


Espelhos de insónias vãs. 
O inferno é um lugar comum pelo calor do meu corpo a arrefecer, assim, nas tuas mão de utopia.

Não me despeço, apenas adormeço.

E, 
nesse momento estarei dentro do teu peito. Guarda-me.




quinta-feira

Love Me Like I'm Not Made Of Stone





Não sei se falas com as mãos ou se te escondes nas palavras. 

No entanto adio-te, para não te esquecer. 

Ecos de suores perfumados vindos de onde quer que estejas, sentado em frente à janela, que te há-de trazer chuva e letras, com que forras o cadeirão de veludo gasto e de cor indefinida.

No colo da paixão, sentam-se fantasmas de espadas que indicam as estradas.

Escondo-ME por momentos, esmagada pelas tuas carícias cinematográficas, nos meus ombros nus, arredondados pela cicatriz, a tentar escrever-TE esta carta de amor vazio.


A tua boca é O verbo que invoco. 

As palmas das tuas mãos sabem a música mastigada em silêncio, para que não me saibas perto. 

E são os teus olhares proibidos, que me condenam, ordenam, desafiam e agridem.