Chuva morna como beijos de
despedida. Ela olhou a estrada de cimento que se perdia no infinito do verbo.
Ir sem olhar para trás, sem acenar um adeus, gesto suspenso, cristalizado pelo
sabor da boca que não ficou a saber.
Olho-te. O aroma da tua água-de-colónia
entranhado no lugar que deixas habitado de hálito e suor. E sorrisos
escondidos, excusos e completos de escrita de olhos fechados.
A invisibilidade tocada. O teu
olhar leva o meu a ver as luzes das cidades percorridas em velocidade de
espanto, mais devagar agora, para absorver sons, tons, sabores de ti, TU que não te dás, nem te emprestas.
Todos os dia hei-de saber de ti. Todos os dias hei-de telefonar-te, sem falar. Boca seca de palavras interditas. A adivinhar-te os caminhos sinuosos, de lascívia e perdição, duma quase promiscuidade que fascina. A adivinhar-te nas entre-linhas que constróis para que te entenda. Estórias tuas e minhas, que jamais serão nossas.
Sem olhares para trás, desapareces na esquina do quarteirão.
E no teu peito, a minha mão.