... O estrondo de luz trouxe-mo do deambular catatónico em que a música me
veste sempre que a tua memória insiste em fermentar silêncios ou apenas
sonhar-me naufrágio em tons magenta como as horas que guardo no corpo acordado
a sete chaves de vidro, como alicerces de águas par(a)das de sombras que nos
mastigam demoradamente, como um farol iluminado que cega o poeta desprevenido,
fervendo emoções que doem porque assomam espectros desesperados num bairro de
letras cem palavras e antes que a noite chegue, acendo um cigarro
que não fumo.