Inquieta a boca desiludida
imaculada no restolho dos dias sem cor.
torturado o rosto
cansado agora dasabitado do seu olhar
como se o fumo fosse névoa e os dedos cigarrilhas
apagadas, húmidas, estragadas
recordou-o poema no
limite da convergência dos verbos
acreditou-o tão seu, tão
perto, tão tudo
acreditou-o príncipe
das marés
acreditou-o
depois, num rasgo de
orfandade inequívoca, chorou-o em vagas de espuma, ventre esvaziado de
concepção seminal
chorou-o para além da
sua ausência no corpo onde a vida lhe escorregava
chorou-o com um
brilho de sal no olhar a esmorecer de dor
chorou-o como se o
bebesse em sombras de águas límpidas...
... chora-o ainda.