transverso-me na verticalidade da
subida ao teu ser. desconstróis-me na liquidez fatal dum inverno súbito.
queima muito esta dor rente à
minha carne consagrada na confissão ensanguentada das vísceras que corroem a aventura
na pele que já foi marfim no desbravamento. explosão de palavras malditas...escritas,
sem se poderem apagar da memória de quem leu.
és só tu contigo e com quem desconheço.
e embalo a corrosão dos dias sem afagos.
são silêncios e são espasmos translúcidos.
desencontros cinematográficos que o sorriso disfarça.
sinto o teu gesto no olhar que
não cruzas. os braços sem abraçar. quietos na expectativa do movimento de [me]
experimentares. o pudor não me permite tocar-te. apenas trocar palavras e
olhares cegos. de música. no telúrico dos momentos.
paixão. tantas vezes paixão nas
cidades que nos aguardam.
a minha exigência faz-se de segredos adivinhados sem te saber.
espero ouvir-te e aquieto-me no
desassossego que não é livro. apenas livre de te conhecer.
mãos cheias de ti. e não tenho
nada.