terça-feira

Cigarette Burns




transverso-me na verticalidade da subida ao teu ser. desconstróis-me na liquidez fatal dum inverno súbito.

queima muito esta dor rente à minha carne consagrada na confissão ensanguentada das vísceras que corroem a aventura na pele que já foi marfim no desbravamento. explosão de palavras malditas...escritas, sem se poderem apagar da memória de quem leu.

és só tu contigo e com quem desconheço. e embalo a corrosão dos dias sem afagos.

são silêncios e são espasmos translúcidos. desencontros cinematográficos que o sorriso disfarça.

sinto o teu gesto no olhar que não cruzas. os braços sem abraçar. quietos na expectativa do movimento de [me] experimentares. o pudor não me permite tocar-te. apenas trocar palavras e olhares cegos. de música. no telúrico dos momentos.

paixão. tantas vezes paixão nas cidades que nos aguardam.

a minha exigência faz-se de segredos adivinhados sem te saber.

espero ouvir-te e aquieto-me no desassossego que não é livro. apenas livre de te conhecer.


mãos cheias de ti. e não tenho nada.