terça-feira

You'll Follow Me Down


Conhece o cheiro do amor, onde se abisma como yoyeur dos sentidos saboreando o paladar de cada palavra interdita. 

Respira-O assim, em tons mel e limão para que a garganta amenize a dor do grito aquando da expulsão de árvores moribundas de um ventre amaldiçoado à nascença dos rios que desaguam no peito...
...Ou em Espanha, onde houver leito de rosas e espinhos, milagre do pão, onde existir perdão, mas jamais solidão. Ou hábitos, rituais a emergir. Não.

Não! Respondeu ele à carta escrita, fechada, mas não enviada. Não te desejo conhecer, és-me sonho que solta veneno, talvez pintar-te da minha cor, mas sem deixar que me tentes. 

E ela que se sente pétala, nem entende a invocação. Quer lá saber que ele a ignore, a paixão é um imprevisto que lhe pode acontecer e então ele há-de saber que, por vezes, mesmo sem querer, há-de gotejar de desejo, em descidas tão vertiginosas quanto as escaladas que outros tentam.

Aromas horizontais soltam-se do leito do rio, agora mornos, gemidos, exaustos. Conspiração de dedos que se entrelaçam e descem ao centro de gravidade de cada um, a ele a apetecer-lhe o irresistível. E ela a inquietar-lhe o sono, a ser fantasia, sonho. A sorrir e a acenar-lhe um adeus. A abrir-lhe o apetite da pele que lhe é vento nos cabelos e nos olhares em desalinho. 

A adiá-LO para não O esquecer.