e tardas na
sonoridade da espiral que tentas dissipar, nesse teu gesto tão dandy, de segurares a cigarrilha, como se
ela fosse apenas mais um dedo. nesse sorriso boémio ao pôr do sol nas minhas
mãos onde cabe o teu olhar desviado como
um destino cumprido. a antecipar a noite de todas as loucuras indizíveis.
ausento-me então, a
t-r-a-c-e-j-a-d-o-inquieta. plena de assombro, a tentar respirar-te o sabor do
fumo de amante. de amigo. o des(A)pertar da minha pele sob os teus dedos que
apenas sei ágeis. e imagino hábeis a secarem-me os lábios de beijos
majestosamente pintados da cor do desejo.
Conhece o cheiro do amor, onde se abisma como yoyeur dos
sentidos saboreando o paladar de cada palavra interdita.
Respira-O assim, em
tons mel e limão para que a garganta amenize a dor do grito aquando da expulsão
de árvores moribundas de um ventre amaldiçoado à nascença dos rios que desaguam
no peito...
...Ou em Espanha, onde houver leito de rosas e espinhos, milagre do pão,
onde existir perdão, mas jamais solidão. Ou hábitos, rituais a emergir.Não.
Não! Respondeu ele à carta escrita, fechada, mas não
enviada. Não te desejo conhecer, és-me sonho que solta veneno, talvez pintar-te
da minha cor, mas sem deixar que me tentes.
E ela que se sente pétala, nem entende a invocação. Quer lá
saber que ele a ignore, a paixão é um imprevisto que lhe pode acontecer e então
ele há-de saber que, por vezes, mesmo sem querer, há-de gotejar de desejo, em
descidas tão vertiginosas quanto as escaladas que outros tentam.
Aromas horizontais soltam-se do leito do rio, agora mornos,
gemidos, exaustos. Conspiração de dedos que se entrelaçam e descem ao centro de
gravidade de cada um, a ele a apetecer-lhe o irresistível. E ela a inquietar-lhe
o sono, a ser fantasia, sonho. A sorrir e a acenar-lhe um adeus. A abrir-lhe o
apetite da pele que lhe é vento nos cabelos e nos olhares em desalinho.
palavras circulares despejam a quente momentos que perderam
som.
e assim te aguardo sem saber esperar...
fechA os olhos_______ sente como te adivinho, nas palavras
alargadas, proibidas no prazer de as dizer.
olha-me de frente, aproxima o teu rosto do meu onde se
fundem olhares t(r)ocados.
exijo-te. mesmo quando pensas que te dás. mas estou a
aprender a nada pedir. sou capaz de entrar em ti, pelos poros por onde a pele
respira e já não me transpira____________ já não. e sou tão sómente sal neste buraco
de fechadura por onde (te) espreito e latejo. as mãos feridas de ferrugem
esbatida.
não digas nada (mesmo desejando que digas tudo) nesta
incerteza de pecado e perdão, ou apenas irritação e desculpas. ocas. loucas.
hálito que o ardor adivinha em delírio as palavras escritas,
rasuradas, quase apagadas, mas ainda visíveis num hotel onde se hospedam
viajantes que nunca param. sempre de passagem na imaginação que já foi minha e
jaz agora em qualquer outro lugar do mundo visível apenas em fotografia aérea. e num sistema de satélites por configurar.
alvejada nas
costas caio na cova aberta (ainda não túmulo) aberta à dor que sei minha.
beijos nos pulsos que sangram mistérios que a (minha) morte não revela.
pulsos abertos à dor ___________ a vida lateja. surpreende. dá cor. vermelho cravo. revolução. intenção. i.n.s.u.b.o.r.d.i.n.a.ç.ã.o.