segunda-feira

Majesty



entardece. 
e tardas na sonoridade da espiral que tentas dissipar, nesse teu gesto tão dandy, de segurares a cigarrilha, como se ela fosse apenas mais um dedo. nesse sorriso boémio ao pôr do sol nas minhas mãos  onde cabe o teu olhar desviado como um destino cumprido. a antecipar a noite de todas as loucuras indizíveis.


ausento-me então, a t-r-a-c-e-j-a-d-o- inquieta. plena de assombro, a tentar respirar-te o sabor do fumo de amante. de amigo. o des(A)pertar da minha pele sob os teus dedos que apenas sei ágeis. e imagino hábeis a secarem-me os lábios de beijos majestosamente pintados da cor do desejo.


terça-feira

You'll Follow Me Down


Conhece o cheiro do amor, onde se abisma como yoyeur dos sentidos saboreando o paladar de cada palavra interdita. 

Respira-O assim, em tons mel e limão para que a garganta amenize a dor do grito aquando da expulsão de árvores moribundas de um ventre amaldiçoado à nascença dos rios que desaguam no peito...
...Ou em Espanha, onde houver leito de rosas e espinhos, milagre do pão, onde existir perdão, mas jamais solidão. Ou hábitos, rituais a emergir. Não.

Não! Respondeu ele à carta escrita, fechada, mas não enviada. Não te desejo conhecer, és-me sonho que solta veneno, talvez pintar-te da minha cor, mas sem deixar que me tentes. 

E ela que se sente pétala, nem entende a invocação. Quer lá saber que ele a ignore, a paixão é um imprevisto que lhe pode acontecer e então ele há-de saber que, por vezes, mesmo sem querer, há-de gotejar de desejo, em descidas tão vertiginosas quanto as escaladas que outros tentam.

Aromas horizontais soltam-se do leito do rio, agora mornos, gemidos, exaustos. Conspiração de dedos que se entrelaçam e descem ao centro de gravidade de cada um, a ele a apetecer-lhe o irresistível. E ela a inquietar-lhe o sono, a ser fantasia, sonho. A sorrir e a acenar-lhe um adeus. A abrir-lhe o apetite da pele que lhe é vento nos cabelos e nos olhares em desalinho. 

A adiá-LO para não O esquecer.

quinta-feira

Folhas caídas


palavras circulares despejam a quente momentos que perderam som.
e assim te aguardo sem saber esperar...

fechA os olhos_______ sente como te adivinho, nas palavras alargadas, proibidas no prazer de as dizer.
olha-me de frente, aproxima o teu rosto do meu onde se fundem olhares t(r)ocados.

exijo-te. mesmo quando pensas que te dás. mas estou a aprender a nada pedir. sou capaz de entrar em ti, pelos poros por onde a pele respira e já não me transpira ____________ já não. e sou tão sómente sal neste buraco de fechadura por onde (te) espreito e latejo. as mãos feridas de ferrugem esbatida.

não digas nada (mesmo desejando que digas tudo) nesta incerteza de pecado e perdão, ou apenas irritação e desculpas. ocas. loucas.

hálito que o ardor adivinha em delírio as palavras escritas, rasuradas, quase apagadas, mas ainda visíveis num hotel onde se hospedam viajantes que nunca param. sempre de passagem na imaginação que já foi minha e jaz agora em qualquer outro lugar do mundo visível  apenas em fotografia aérea. e num sistema de satélites por configurar.

alvejada nas costas caio na cova aberta (ainda não túmulo) aberta à dor que sei minha.

beijos nos pulsos que sangram mistérios que a (minha) morte não revela.

pulsos abertos à dor ___________ a vida lateja. surpreende. dá cor. vermelho cravo. revolução. intenção. i.n.s.u.b.o.r.d.i.n.a.ç.ã.o.

não digas nadas, para que não digas NÃO...