domingo

Para sempre.




Estendeu os pulsos aquecidos pelos lábios dele, esqueceu o coração que se esvaía em olhares, contornou a tarde que descia sobre a casa de janelas abertas à paz que não ouvia.

Ofereceu-lhe as costas nuas, onde ele lhe escrevia poemas sempre que o papel se acabava, papel reciclado, tacteado pelas pupilas dilatadas e douradas pelos lábios que eram sorriso ou então apenas boca. 

Escorreu palavras inventadas ao instante do grito com que rasgava as noite sempre que a música era chuva, neve ou apenas suor sem sal.

O vazio com que enchia a vida sangrando em silêncio. A língua mastigada pela solidão.

Ela espreitou sobre o ombro, o ruído invisível da caneta de tinta permanente na pele. Escrita a vermelho sangue. O seu. Saliva que apagava enganos, rasuras por vezes, num arranhar repetido, esborratado.

Então, ele tomou-a nos braços, já pálida e inerte, enquanto lhe sussurrava ar, num apego de memórias.

Num poema inacabado, amaldiçoou a falta de tinta. Sentou-se entre parêntesis, até as reticências o dominarem.

Só depois lhe sentiu a falta, na carne flácida, antes do rigor mortis.


SpIrAcLe



Esqueço-me de ti recortando as memórias e os  dedos_________________ de olhos fechados numa suave explosão de lembranças que são ruído na frequência modelada dos eus que nos sorriem em desafio numa transparência animada pelo verbo que insisto em agitar.

O coração conta o sangue que me doas em sacrifício de demoras inabitáveis com as cores pálidas do meu respirar em ferida sem mácula_______________________ inquieta a saliva que a boca trai. em suspiros ténues de madrugadas de Abril. cravos com que me perfumas a pele adocicada pela febre de viver.


Empresto o corpo à dor e atravesso o improvável.  

sexta-feira

The Devil's Bride


Animalidade que me possui deste lado do imagina(n)do selvagem. estreito odores com que teces________ olhares de silêncio nos ruídos nas palavras onde recolho o mais belo aroma_________que se adivinha em pele_____ o da tua
por não ser boca_________ sopro delírios na  garantia da certeza do coração que ressalva o labiríntico casulo
o
n
d
e
me encerro
cerro os dentes na queda vertiginosa da saliva
paixão_________________ devoção
ou apenas imaginação de memória inventada.