segunda-feira

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me




sei que me proteges com esse amor incondicional de anjo da guarda de cílios prateados e fechados num molho de flores silvestres que me emprestam aromas de cristais fluidos como as lágrimas que me amparam lábios de sal. e sol no nevoeiro que a tua alma de nuvem acesa ilumina noites de eclipses lunares. tão aguados pelo degelo do teu coração em construção como o poema porque a fome tem mais sede que a evocação do nu.

sei que me entendes mesmo não me sabendo. nem adivinhando as dores que os bisturis provocam na carne cansada dos cortes sucessivos, mesmo que cirúrgicos, cortes na alma que a pele esconde.

sei que (te) esqueceste (d)o amor no meu peito fechado às brisas de Verões tardios. com chaves de bronze que prendes à cintura de um deus qualquer.

sei que os teus passos caminham ao lado da minha sombra  e que as florestas que amo, são apenas árvores de espanto, com que resistes ao desejo, ao beijo e ao abraço virgem, decapitado e embrenhado de fantasias.

sei que o sangue pode ser doce quando escorre quente em golfadas de desespero, mesmo até ardente, nunca água. mas indigente como o teu olhar que me exige gestos que não posso, porque sei que o amor é também fuga.

sei ainda, que a memória não esquece, nem lembra quando queremos.

sei(-te) assim ________________________________ longe. mas dentro de mim. neste amor em que me sonhas todos os dias.