domingo

Sanctuary


cavalos alados que borboleteiam em círculos, o volteio dos sorrisos são carinhos que nos abraçam sim, minhas irmãs sou tia de todos os vossos filhos e sobrinhos que são jovens adolescentes e se divertem como nós nos divertíamos ao correr do dia, depois das aulas, nas 'directas'  de estudo(?) ou apenas nos fins de semana em que eu não vinha a casa e essa foi e continua a ser a casa onde sou família a viver alegrias e dores de perdas.

agora o jardim é tratado pela mana mais nova. já não me lembro quem me atirou da cama de rede, onde eu lia ou escrevia num daqueles livrinhos que resultou num livro.

as confidências junto ao poço, longe dos olhares dos adultos, pais, avós e empregados, mas com a mana mais nova sempre presente, mesmo que invisível. ainda hoje me interrogo o que terá ouvido, sabido, dos nossos amores secretos, tão puros e quase infantis. a paixão é mesmo um lugar estranho, onde eu estava sempre e tu não. os rapazes perdidos por nós e nós a perdermos tempo com eles, sem nos decidirmos. mesmo quando achava que a minha paixão estava em Lisboa (e estava e ambas sabíamos que não havia nenhum que se lhe comparasse).

o teu amor era calmo, a crescer com o tempo, sem paixão, mas num amor consolidado que vai aumentando.

os meus amores eram paixões sempre diferentes e mais intensos que no dia anterior. o tempo passou e encontrei um amor semelhante ao teu, mas que começou com muita paixão e foi crescendo em amor de ser, estar e viver cada dia como se fosse o último, mesmo quando, como tu, não entende para onde me ausento, sempre que o meu olhar se desvia e navega contra o vento que cega a claridade onde sou sombra no jardim dos segredos que está diferente todos os dias e no entanto permanece o nosso lugar secreto onde temos ainda os sonhos escondidos, que desenterramos de vez em quando para rirmos juntas, com aquele riso cristalino que caracterizava as nossas gargalhadas de mistérios que nunca ninguém percebeu muito bem, porque ríamos tanto.

aromas inesquecíveis, as fugas para a piscina da tia A. os gatos, cães e ruídos duma casa de quinta, onde o quarto azul era (e continua a ser) um fascínio, mesmo depois de descobertas as obras de arte, rendas, esculturas, bordados e quadros pintados que tenho agora em minha casa.