segunda-feira

The sheltering sky



não sei porque nunca te disseram que o meu amor é como o chá no deserto, quente e tremendamente doce para que se entranhe em ti, nem que o tenhas saboreado apenas uma vez e se torne inesquecível como a cor dos meus lábios que sangram de tanto os morder para não gritar o teu nome.

quente para que te sintas fresco, mesmo que alagado em suor, sal e água num oásis que inventas para não me veres a chegar_______________devagar, de olhar enevoado e o corpo balançado na tempestade de areia com que arranho corações desprevenidos, apenas porque não me vês, por estar tão perto de ti.

a tua voz soa-me sempre a cascos de carvalho, em caves que pertenceram a tantas florestas onde és árvore única entre tantas, que me abraçam e me exigem afectos que distribuo com o olhar sempre que me enamoro das montanhas áridas. 

a paixão é então uma prece por atender, pois ignoras quantas vezes me adormeço a pensar-te e acordo a sonhar-te, mesmo quando dormes a meu lado, solto, indiferente ao emaranhado de braços e pernas que são dos dois, mesmo eu sabendo que somos apenas um. 

_______________________e é a tua alma embriagada, que viciada em mim, se perde cada vez que me encontra e entoa cânticos que o meu coração devora.

é então que me bebes ávidamente, mesmo sem teres sede.