quarta-feira

Paris, Texas



acordas-me, mesmo sem ter dormido, com o teu ar infantil de anjo perdido.

as palavras são dardos de veneno puro batom transparente com que te escuto, entre sonhos, num choro de vergonha que me arde (n)a alma inútil como as notas de musica desfeitas das pautas amachucadas que trazes nos bolsos dos jeans, dum azul indig(N)o.

fecho os olhos, fecho a boca, até que a respiração me doa, fecho as mãos em punhos de raiva e dor, só porque as viagens são feitas nas tardes em que nas marés navegam cruzeiros e no cais, vagabundos sonham de boca aberta à fome que os alimenta.

náuseas e dores abertas agora aos fármacos que deixaram de fazer efeito.

as canções com que me venço são o infinito do caminho onde as pernas estacaram com o corpo moribundo de sede do teu amor imaturo, inconstante e viciante.

deixarei de dizer-te que te amo sempre que a dor me mate e tu acordas-me, mesmo sem ter dormido, com o teu olhar infantil de anjo perdido.