domingo

Paranoid


suspira veneno em folhas de chá. infusão de preces em lamentos de dores mais fortes que o cisco no olho ou areias movediças no corpo de espanto. que espanta as noites divertidas dos dias que antecedem as tardes tombadas penas de ave abandonada sorriso desenhado a lápis de cera a expressão contorcida em espasmo de injecção.

são azuis os fumos de nuvens no jardim onde se passeiam enfermeiros com coletes de força arrancados à dentada porque as unhas são roídas nas manhãs de assalto. que salto!  em altura do tamanho da sombra que o sol rouba.

cicatrizes que se abrem ao romper da aurora boreal em sangue visceral fígado novo precisa-se para que o pão levede. e cresça.

ensaia bocejos, e os lábios semicerrados de beijos.
alma cinza do cigarro a arder devagar. sem fumar.

e o amor pode ser roma se as palavras se inverterem. ou reclamarem em protesto divino de oração.