quinta-feira

Paris


Revejo Paris nas tuas mãos de música com que me acenas despedidas em chegadas com atraso de voos num tempo que é, não flui, nem corre mesmo que por vezes pareça parar, quando me tomavas em abraços rodopiantes em plena Praça da Ópera ou a descida da avenida Champs Élysées numa corrida que acabavas por ganhar ao alcançares-me disfarçando o cansaço com um beijo rápido. Eu sorria e os meus cabelos esvoaçavam livres como o meu desejo. Então a busca, junto às margens do Sena, dos livros em listas amarrotadas de tão guardadas, os olhares cúmplices que só os amantes, mesmo de olhos fechados sabem responder, mesmo sem perguntar, carícias de palavras que o vento não leva.
Troquei de alma e porque as saudades me ferem o corpo, guardei as memórias no lugar vazio do coração que transporto no lado direito do peito. Em canções de anos inventados pela falta que me fazes.