quinta-feira

In Perpetuum


soltam-se palavras de largada ou partida a canção com que embala sonhos (s)em destino o ardor do sal que engole em shots repetidos de virar o copo. um caramelo antigo, pegajoso, guardado no bolso da mala onde cabe o mundo, onde cabe tudo, menos ela, rendida ao espaço duma gaiola dourada, uma caixa de música, donde sai de quando em vez, num ballet blanc em simetria com o sorriso fechado com que decide casos de vida ou morte, ou apenas um concerto moribundo como o olhar vagabundo e anárquico que lhe exige não sei que respostas quando as perguntas são testes à paciência e aos limites de si.

enxuga a terra faminta da chuva intempestiva, galga montes e vales, suspira, respira, insiste, atravessa os rios gelados que a levarão ao percurso do gelo iniciado antes da era primitiva, antes dos sonhos serem factos e a imaginação realidade mensurável os cabelos adourados ao vento das marés de espanto, as palavras incisivas como punhais de madrepérola rasgando o organdi vestido de noiva ou reposteiros leves e ondulantes da casa de praia.

três camadas de verniz nas unhas dos pés cansados de suportar a energia da alma. lâminas que esquartejam fígados em vísceras conservadas em perfume que deixa manchas nas camisas de seda. aroma de sangue nos lábios e nas mãos o coração dividido entre a dormência e a ausência.

desliza suave a melodia com que esquece o pensamento. 
para sempre, em amor.