quinta-feira

Decomposing Trees


sopra-se o beijo no prelúdio duma lágrima ensaiada em bailar nos olhos cegos de paixão. contorna-se o canteiro de flores com que os jardins de inverno recebem chás e poesia. mergulho o pensamento num deserto onde a música é poeira entre os dedos escorrida a quente. regresso ao bosque, desenterro raízes, visto-me de folhas e respiro seiva com os lábios tom de pérola. 
sabes onde descobrir-me, enrolada em mim, sabes onde fico presa, enredada em teares de seda pura, em sonhos devolutos e madrugadas de abril vermelho, o mesmo das papoilas que baloiçam ao vento que insiste em levar-me, nua, despida com ternura, de mãos cheias de chuva e pele alva de neve azul. a mesma com que me abraças à distância dum rio cor de mar e musgo. e então sorrio à dor que ainda não é morte. talvez sorte. de principiante, mesmo repetente. ausente, dúvida latente. dívida carente. fermento, adubo, presente.