sábado

Fear of Flying


sinto os pés queimados pelo gelo que o teu olhar alcança no canto de pássaro ferido quando rasas a minha alma defunta no limiar da folha do carvalho com um coração marcado a setas, num amor atravessado a letras que o tempo empresta à paixão desenfreada da juventude.

olhares nus com que despes medos e soltas sorrisos ambulantes, abundantes, por vezes oxidantes, nas gargalhadas sadias com que inundas o firmamento mesmo quando raios laser desenham música nos teus lábios sem voz e me dás a mão só porque o infinito nos aguarda e a minha pele (te) sabe a nuvens frescas. 

espero-te com o cabelo mais curto, porque as dores não me deixam ter tranças. 

e nesta viagem sem hora marcada, sou abraço de vento na sombra da água que estilhaça  espelhos em direcção ao sol.