segunda-feira

Tempestade




empresto sorrisos à noite que se debruça lentamente sobre a tua memória. afago olhares com gestos surdos que finges não ver. como se o passado fosse acontecer agora, apenas agora, quando a noite debruçada, cai sem amparo no meu peito.
música sem letra que o meu corpo guarda junto ao rosto do retrato a sépia em que me sorris, mesmo não sendo eu a fotógrafa, mas em que (me) sorris nos solfejos de  gargalhadas cegas de riso cristalino sempre que te lembro o tom de voz com que me dizes "cala-te e beija-me".
caiu a tarde antes da noite e neste lusco fusco de lembranças, as lágrimas são o sal com que adoço as recordações de amanhã.