prolongo-me para além do abraço nas
sombras exóticas que des(D)enham números dançantes e ávidos na soma dos dedos
esbatidos na minha pele erótica que a tarde acaricia nas noites em que me
aconchegas num sopro de vento marítimo e sôfrego. Queimo-te a carne prudente de
músculos e pulsares cantantes como a música que me veste de ti em cada esquina
de avenidas novas ou não, também nos passeios de calçada portuguesa como o meu
rosto de maçã aroma de saudade que trago no peito e atravesso rios de gelo sem
te perguntar se também queres quebrar os espelhos, ignoro o rito do pão e com a
tua mão na minha embrulho-me na cidade branca que floresce não sei que afagos
quando me olhas impaciente e tímido, quando me queres por eu te querer ou não,
talvez porque as árvores te segredem silhuetas da minha partida não anunciada
ou ecoem gritos de aves roucas. Não sei as páginas tantas do livro que és, que
reescrevemos, quando em mim entras e eu te acolho, ou és tu que me acolhes,
porque me sabes pe(R)dida, me sabes agridoce e livre. Porque me sabes (a
lilases e flores silvestres salpicados de romãs).
terça-feira
segunda-feira
Tempestade
empresto sorrisos à noite que se debruça lentamente sobre a tua memória. afago olhares com gestos surdos que finges não ver. como se o passado fosse acontecer agora, apenas agora, quando a noite debruçada, cai sem amparo no meu peito.
música sem letra que o meu corpo guarda junto ao rosto do retrato a sépia em que me sorris, mesmo não sendo eu a fotógrafa, mas em que (me) sorris nos solfejos de gargalhadas cegas de riso cristalino sempre que te lembro o tom de voz com que me dizes "cala-te e beija-me".
caiu a tarde antes da noite e neste lusco fusco de lembranças, as lágrimas são o sal com que adoço as recordações de amanhã.
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