terça-feira


em silêncio 
o quarto crescente 
com(o) que se esvai em sangue o perfume do sol
frio de cimento armado
em
 golfadas de amor
gelado
adocicado
amansado fulgor

são assim as noite em que telefonas sem falar.


quarta-feira

Amor(a) silvestre



és livro por escrever
desenho um sorriso no teu corpo aberto
à descoberta de sabores renovados em noites escaldante
enquanto cais no meu peito
que geme inquieto 
nas tuas mãos de príncipe
que seguram lágrimas doces de manhãs submersas
em rios de vida
com que me acaricias o olhar

e o amor são quatro letras apenas
que tecem mundos
para eu habitar.

segunda-feira

Ficar


sonho (-TE)
e
voo alto

l
i
c
o
r

azul
beijo mordido
coração vagabundo
pássaro ferido
viajo na tua pele nua de olhos rasos de água pura.

sábado

Little Pink House



Caminho

sem

regresso

quando o teu silêncio

me seca
as

l
á
g
r
i
m
a
s

que não sei.

quarta-feira

Domingo à tarde


Vejo Moscovo pelos teus olhos
iluminando
a mão na mão
pousada no meu joelho
trémulo
assim o sorriso tímido de confissões antigas
e a paixão que aguarda
um sinal
(n)a multidão anónima
que nos faz incógnitos

beijas os meus cabelos 
e aquieto a revolução vermelha 
na Praça de cravos portugueses

beijas o meu corpo
os meus lábios respiram-TE. 

É assim, o amor inventado a dois à distância do que ainda não aconteceu.

sábado

Hoje



sinto-me 
assim como esta melodia que me empresta a tua voz
para que permaneças
mesmo na distância
que guardo no (en)canto
com que me (tens) cativa(s).


são dores que a náusea alimenta
vómitos
e
pausas de energia
em que me perco em fugas de mim.


a morte é uma semente por germinar
morro 
assim
aos poucos
sem a cor do teu olhar.


quinta-feira

terça-feira

1.º de Maio



na distância do teu olhar
enrosco-me na memória do teu aroma
quente

l
í
q
u
i
d
o

o néctar com que me brinda(va)s nos dias em que esquecias medos
e
me sussurravas palavras que eu não ouvia.

Hoje,  1.º de Maio passeei contigo de mão dada. Sentiste?