terça-feira

Crush




A adiar o luto de um velório gasto.

Flores murchas do tempo oculto. Danças-me em passos de cântico final.

E eu sem esquecer a música em sopro do teu olhar. As tuas mãos de príncipe no meu corpo em abismo.
Vertigem.

A fruta em cima da mesa... Devaneios acariciados pela vontade do querer. Só para não dizer que não. Pétalas doces, gestos comovidos.

Cheira a amor. Alma salgada, o meu peito a arder, moldado no teu coração. Profanado pela insistência. A boca ávida.

Fomos quase sempre, espaço desocupado, um do outro. Fomos o tangível na descoberta dos labirintos da pele. Fomos grito e pensamento imaginado. Fomos tardes de alguns discursos indirectos. Fomos viagem.
Encontro. E espera.

O teu silêncio, as minhas palavras.

Fomos.

E um dia, não vieste.
[Recebeste a minha sms?]